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“A Confissão da Leoa”, de Mia Couto, é a escolha do Clube de Leitura da EC.ON para os meses de Julho e Agosto de 2015. A obra “A Confissão da Leoa” foi publicada em 2012 (em Portugal pela Caminho e no Brasil pela Companhia das Letras). A narrativa, baseada em factos reais, segue a história de Kulumani, uma aldeia no norte de Moçambique assolada por ataques de leões. Esse acontecimento é pretexto para o autor escrever sobre leões e caçadas, mas – sobretudo – sobre homens e mulheres em condições extremas. A narração cabe a duas personagens: Arcanjo Baleiro, caçador contratado para matar os leões, e Mariamar, uma rapariga de Kulumani. Mia Couto nasceu em Moçambique, em 1955. É jornalista, biólogo e escritor. É considerado um dos mais respeitados autores do universo lusófono. Entre outros prémios e distinções, foi galardoado, com o Prémio Vergílio Ferreira (1999), com o Prémio União Latina de Literaturas Românicas (2007), o Prémio Eduardo Lourenço (2011), o Prémio Camões (2013) e o Neustadt International Prize for Literature (2014). Entre as suas principais obras encontram-se os romances “Terra Sonâmbula” (1992), “Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra” (2002), Jesusalém (2009), assim como os livros de contos “Vozes Anoitecidas” (1986) e “Estórias Abensonhadas” (1994).

O autor sucede, no nosso Clube de Leitura, a escritores como Paul Auster, Mário de Andrade, Fernando Pessoa, Eça de Queirós, Thomas More, Julio Cortázar, José Saramago, Valério Romão ou Maria Teresa Horta, José Eduardo Agualusa. O Clube de Leitura é um fórum livre e aberto, de periodicidade bimensal, e tem funcionado através de uma comunidade Facebook, moderada por Teresa Devesa.

Trecho: “Os nossos jovens colegas trabalhavam no mato, dormindo em tendas de campanha e circulando a pé entre as aldeias. Eles constituíam um alvo fácil para os felinos. Era urgente enviar caçadores que os protegessem. Os caçadores passaram por dois meses de frustração e terror, acudindo a diários pedidos de socorro até conseguirem matar os leões assassinos. Mas não foram apenas essas dificuldades que enfrentaram. De forma permanente lhes era sugerido que os verdadeiros culpados eram habitantes do mundo invisível, onde a espingarda e a bala perdem toda a eficácia. Aos poucos, os caçadores entenderam que os mistérios que enfrentavam eram apenas os sintomas de conflitos sociais que superavam largamente a sua capacidade de resposta. Vivi esta situação muito de perto. Frequentes visitas que fiz ao local onde decorria este drama sugeriram-me a história que aqui relato, inspirada em factos e personagens reais.”

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