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Cursos:
(F.01) Escrever para crianças – I | 11 semanas (online).

(F.02) Escrever para crianças – II | 11 semanas (online, precedência de F.01).

(F.03) Livro Juvenil | 13 semanas (online, desejável precedência de F.01).

(F.04) Escrever Teatro para crianças | 11 semanas (online).

(F.06) Agarra-me esse texto! – Escrita Criativa p/ Adolescentes | 4 semanas (online).

(L.08) Escrever para Crianças I – Iniciação I | 5 semanas (online, low cost).

(L.17) Escrever para Crianças I – Iniciação II | 5 semanas (online, low cost).

(L.09) Escrever para Crianças – Curso Avançado I | 5 semanas (online, low cost).

(L.10) Livro Juvenil – Iniciação I | 5 semanas (online, low cost).

(L.18) Livro Juvenil – Iniciação II | 5 semanas (online, low cost).

(J.02) Escrever para Crianças | 6 semanas (presencial, 2013).

(J.11) Agarra-me esse Texto | 6 horas (2014, Summer School)

(I.01) Cursos Ícone I: A Oficina de Escrita & Leituras e Criação Literária | 10 semanas (Fevereiro a Julho de 2014).

(I.08) Sessões Ícone VIII: Nostos/ Regresso (Janeiro a Maio de 2017).

Bio:
Nasceu em Lisboa, em 1960. Tirou o Curso Superior de Piano no Conservatório Nacional. Deu aulas em várias escolas, nomeadamente na Escola Superior de Música de Lisboa entre 1990 e 2005. Começou a escrever em 1993 e, posteriormente, deixou o ensino da música para se dedicar a tempo inteiro à escrita. Tem vários livros publicados, na sua grande maioria para crianças e jovens, e escreve com regularidade para teatro. Assina, com Maria João Lopo de Carvalho, a colecção juvenil 7 irmãos, e, com Maria Teresa Maia Gonzalez, As Aventuras de Colombo. Orienta ateliers de escrita para crianças, adultos e professores (Escrita Criativa, Escrever teatro para Crianças e Jovens, e Escrever para Crianças e Jovens). Orienta cursos sobre Escrever para Crianças na EC.ON; na Escrever Escrever; na Restart; na Pós-Graduação em Livro Infantil da Universidade Católica Portuguesa. Publicou, em co-autoria com Elsa Serra, o manual de Escrita Criativa “Quero ser escritor!”. Publicou, em Abril de 2013, o livro de escrita criativa “Escrita em Dia”. Entre as suas obras recentes encontramos “Bicicleta à chuva” (2015) e “À Sombra da Vida” (2016) e “Reconstruir os dias” (2016).
http://www.margaridafs.net/

Cursos Ícone I:
Margarida Fonseca Santos (Cursos Ícone, EC.ON).
Lisboa, 29 de março de 2014
Vídeo-reportagem:

Foto-reportagem:
Facebook: http://goo.gl/f2n7Ta
Google+: http://goo.gl/M7tSc5

 

Entrevista EC.ON (Newsletter, Junho de 2014):

1 – Como responderia a uma questão fundamental que muitas vezes nos é colocada: “O que entende por escrita criativa”?
Responderia com aquilo que penso, e que difere de outras abordagens. Para mim, nos cursos que dou, o importante é: primeiro, pôr as pessoas a escrever; segundo deixá-las perceber o que pode mudar naquilo que escreveram. Ora, isso traz logo um enorme problema: o bloqueio, o receio, o medo e as expectativas com que se inscreveram no curso. Por isso, divido em dois a abordagem: os exercícios desbloqueio e os exercícios de construção de texto.
Os de desbloqueio caracterizam-se por colocar um entrave, um constrangimento, à execução da tarefa. Rapidamente, transformam-se num jogo, pois podemos estar a recontar uma história que conhecemos com letras a menos, ou escrevendo frase do fim para o princípio, tendo de manter a coerência do texto, ou tendo palavras proibidas, etc. São exercícios que têm a função de descontrair a mente, apagando o medo, divertir (há sempre muitas gargalhadas!) e perceber que se aprende mais com espartilhos do que com temas muito livres. Aí, apreende-se que, num curso destes, o interessante é o efeito que estes exercícios provocam na nossa forma de escrever: alargam o nosso vocabulário, fazem-nos perder tiques de linguagem, levam-nos a descobrir outras formas de chegar a bom porto.
Nos exercícios de construção de texto, os objectivos mudam: podemos estar a trabalhar a descrição indirecta de espaços e personagens, ou a entender o que é um conflito gerador de uma história e as consequências desse conflito, ou a sentir o peso que tem o como se conta uma história, e por aí adiante.
Depois da primeira versão, continuamos para o apuramento, dando caça aos advérbios de modo, aos adjectivos, aos que, aos verbos ser e estar, aos tinha dito, tinha feito, só para enumerar alguns. Começamos a ter consciência de como cada frase precisa de toda a nossa atenção, para ter o ritmo certo, a informação subentendida, a força, etc.
Acredito que é no desconforto das imposições que aprendemos a adaptar-nos a várias formas de escrever. E é nessa versatilidade de textos que nos encontramos. Assim, quando não tivermos qualquer imposição, temos todas as ferramentas necessárias para escrever melhor.

2 – Tendo em conta a sua experiência concreta, perguntamos-lhe se os formandos passam realmente a ter, no final dos cursos, uma outra relação com as suas próprias potencialidades expressivas?
Tenho a certeza disso. Só não acontece quando o aluno não tem a humildade de se pôr em causa, a capacidade de se deixar atrapalhar pelos exercícios e descobrir as saídas, quando é incapaz de ouvir opiniões (que são apenas isso, mas quem não aprende com as opiniões dos outros, mesmo as que rejeita, pouco avançará).
Aliás, nos cursos mais longos, consigo perceber como a evolução, que por vezes se pode pensar como um processo regular, é por patamares. Sou muitas vezes surpreendida com um texto magnífico que aparece depois de vários que apenas cumpriram as exigências. Isso faz-me acreditar que estou num dos bons caminhos, que são inúmeros, claro está. Sei igualmente que muitos dos formandos se mantêm a escrever, seja para si mesmos, para blogues ou para publicar.

3 – Nas formações específicas que lecciona, já alguma vez acompanhou formandos que tenham começado do ‘grau zero’ e que tenham acabado por publicar um livro com alguma qualidade literária? Como sintetizaria esse processo?
É engraçada a pergunta… Aquilo que tem acontecido, e me deixa feliz, é aparecerem alunos com uma vontade enorme de aprender, que já deitaram fora muita coisa antes de levarem a sério aquilo que escrevem, carregados de uma vontade impressionante de escrever com qualidade. Posso citar alguns: Rita Vilela, Quita Miguel e Fernando Carvalho, por exemplo, e Joana Nogueira, que ainda não publicou, mas estará para breve, certamente.
O que os distinguiu neste processo foi sobretudo a capacidade corajosa de pôr tudo em causa, tendo bem clara a necessidade de encontrarem a sua voz literária. Trabalharam muito. Friso, mais uma vez, que possuem a coragem de deitar fora o que não presta. Esta característica é importantíssima – muitos daqueles que vêm convencidos de que já sabem imenso e estão prestes a publicar, acabam sem melhorar a qualidade e o imaginário, aproveitando primeiras versões de forma cega.
Quando existe a vontade de perceber as opiniões, doseando a luta pela ideia original e as alterações que podem surgir, estamos perante pessoas que respeitam, e muito!, aquilo que escrevem e quem as lê. Não se subjugando a temas “da moda”, nem querendo agradar a um público em especial (pois perderiam a força das suas palavras), pretendem cativar o outro, o leitor, partilhando com ele a sua visão do mundo (sendo cada história um mundo). São pessoas capazes de emocionar o leitor.
Estes alunos aceitaram o trabalho de relojoeiro da escrita: reescrever, procurar outras palavras para dizer o mesmo, deixar entrar a metáfora no texto ou atirar com a realidade de forma consciente, nunca darem por terminado um texto, mas sim, como dizia Hemingway, sendo capaz de o abandonar num determinado ponto que os satisfaz.

4 – O que pensa do método assíncrono e sobretudo personalizado?
A verdade numa e crua é esta: estive de pé atrás anos a fio em relação aos cursos online, achando que precisava de estar com as pessoas na mesma sala, vê-las reagir, sentir as suas ideias. Como me enganei…
Esta forma de dar aulas é mesmo isso: um ensino personalizado. Quando se comenta o trabalho, não é para uma sala cheia de pessoas, repleta de egos e medos, numa grande diversidade de formas de ver a escrita.
(Devo deixar aqui uma ressalva: quando trabalho online com grupos, o efeito é o mesmo, havendo também a possibilidade de ler os trabalhos dos colegas, aprendendo com eles. Contudo, nestas situações, os textos produzidos têm necessariamente de ser mais pequenos.)
Neste formato, não se comenta com base na leitura do momento, perdendo-se depois parte do que se disse. Tem a profundidade do comentário escrito, partilhado, justificado. Tudo o que se troca, entre formador e formando, é para aquela pessoa. E tudo fica registado: o que se trabalhou, equacionou e mudou.
Quando potenciais formandos me dizem que preferem um curso ao vivo, fico a falar cá para dentro: nem tu sabes o que estás a desperdiçar…