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Cursos:
(E.01) A Bordo dos Géneros Literários / Oficina de Escrita Criativa | 10 semanas (online).

(J.04) A Bordo dos Géneros Literários – Oficina de Escrita Criativa | 6 semanas (presencial, 2013)

(I.01) Cursos Ícone I: A Oficina de Escrita & Leituras e Criação Literária | 10 semanas (Fevereiro a Julho de 2014).

Bio:
Jornalista e escritora, nasceu em Abril de 1972. Desde 1990, como jornalista especializada na área de Cultura/Literatura, trabalhou como repórter (Visão, Expresso, Grande Reportagem, Ler, JL, O Independente, Escrita em Dia/ SIC), editora (Livros de Portugal/APEL, Mil Folhas/Público, Oriente/ SIC Notícias, Magazine e Magazine Livros/ RTP2), crítica e comentadora (Acontece e Jornal2, RTP2) e consultora (Câmara Clara, RTP2). Em 2011, assinou a autoria, edição e apresentação do programa «Nós e os Clássicos», exibido pela SIC Notícias. Atualmente, assina crítica literária no jornal Sol e na revista Ler, é coordenadora da programação cultural da Livraria Almedina do Atrium Saldanha e orienta as Comunidades de Leitura Almedina/Atrium. Recebeu o Prémio Nacional de Cultura Sampaio Bruno em 1996. O seu primeiro romance, Este É o Meu Corpo (Temas e Debates/Sextante), data de 2001 e foi publicado em Espanha, França, Itália, Polónia, Croácia, Eslovénia, Sérvia e Brasil. Os seus contos encontram-se publicados em diversas publicações e antologias portuguesas e internacionais.
http://coracaoduplo.blogspot.pt/ & http://www.filipamelo.com/

Cursos Ícone I:
Filipa Melo (Cursos Ícone, EC.ON).
Lisboa, 15 de março de 2014
Vídeo-reportagem:

Foto-reportagem:
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Google+: http://goo.gl/17lXa4

 

Entrevista EC.ON (Newsletter, Julho de 2014):

1­. O que entende por escrita criativa?

Desde a escola primária que somos desensinados a escrever. Aprendemos e aperfeiçoamos o ABC funcional da linguagem, enquanto desaprendemos a conjugá-­la com a imaginação. Quando não é incentivada, a prática criativa da escrita vai­-se apagando, até se tornar uma memória longínqua e turva, tal qual acontece com os sonhos. A aprendizagem da escrita criativa literária permite que se recupere em qualquer idade a capacidade de ativar e traduzir em palavras os teatrinhos internos, cheios de paraísos e infernos, paisagens, personagens, conversas e ideias, que cada um tem dentro de si. Nas minhas oficinas, este percurso de descoberta faz-­se a partir de muitos exercícios práticos, mas também de muitos exemplos de como, ao longo da história da literatura, se foram vencendo os desafios da página em branco.

2­. Tendo em conta a sua experiência concreta, perguntamos­lhe se os formandos passam realmente a ter, no final dos cursos, uma outra relação com as suas próprias potencialidades expressivas?

A experiência diz­-me que, ao longo das oito semanas de oficina, cada formando conquista pelo menos 15 minutos de fama com um texto surpreendente. Há quem o cunhe como o seu texto mais «autêntico», «espontâneo», «sofrido», «extravasado», «desconjuntado», «delirante», «genial» ou, simplesmente, «eufórico». O certo é que ele nasce sempre de uma vitória individual sobre as inibições, os lugares comuns, a vontade de escrever bonito e parecer bem, a resistência à expressão de uma voz interior e à criação de uma voz literária. O testemunho da maioria dos formandos é de surpresa e entusiasmo com as potencialidades descobertas ou desenvolvidas.

3. Nas formações específicas que lecciona, já alguma vez acompanhou formandos que tenham começado do ‘grau zero’ e que tenham acabado por publicar um livro com alguma qualidade literária? Como sintetizaria esse processo?

Tal como a leitura, a escrita criativa literária é um ato solitário. Toda a obra literária começa sempre a ser escrita antes da primeira letra grafada. Também não existe um «grau zero» de capacidade de expressão criativa. Cada formando traz consigo caminhos mais ou menos abertos para traduzir o seu universo individual. Gosto de pensar nas minhas oficinas como uma espécie de ginásio onde se aprende a identificar e a moldar o corpo da escrita e a trabalhar os músculos, os ritmos, as resistências e as capacidades, com a ajuda dos melhores instrumentos. A análise conjunta (entre docente e formando, ou formandos) de textos, técnicas e dinâmicas é um desses instrumentos, mas o processo de criação é sempre individual. Nem todos os formandos querem vir a publicar livros, mas todos querem descobrir o que podem fazer com a escrita: arrumar memórias, expressar sentimentos, comunicar com alguém, criar ficções, escrever para teatro ou cinema… Aqueles que, entretanto, publicaram livros (sobretudo em edições de autor), devem­-no a um processo de criação sobretudo autónomo, ou, como dizia Hemingway: «Somos todos aprendizes de um ofício no qual ninguém alguma vez se tornou mestre.»